Nos últimos dias, duas mudanças importantes chamaram atenção na política migratória dos Estados Unidos.
De um lado, o governo anunciou que, a partir de outubro de 2025, empregadores do setor agrícola poderão contar com um processo mais rápido para trazer trabalhadores temporários pelo programa H-2A.
De outro, profissionais e empresas foram surpreendidos com a criação de uma taxa de US$ 100.000 para certas petições de visto H-1B caminho tradicional de contratação de trabalhadores altamente qualificados.
O que muda no H-2A
A novidade no setor agrícola foi recebida como um alívio. Agora, o USCIS pode começar a analisar petições H-2A antes da aprovação final do Departamento do Trabalho (DOL).
Isso significa que os agricultores poderão protocolar a petição tão logo recebam o número de caso da certificação de trabalho temporário (TLC), ganhando semanas preciosas no processo.
O objetivo declarado do governo é fortalecer a contratação legal de mão de obra estrangeira, garantindo agilidade para um setor essencial da economia e ao mesmo tempo reforçando a fiscalização sobre a legalidade e condições de trabalho
O que muda no H-1B
Já no H-1B, usado por empresas de tecnologia, engenharia, saúde e outros ramos que exigem alta qualificação, a situação é bem diferente.
Foi criada uma nova taxa de US$ 100.000 por petição, aplicada em determinadas circunstâncias, que acendeu um alerta vermelho para empregadores e profissionais estrangeiros.
Essa medida funciona, na prática, como uma barreira econômica:
- Grandes corporações podem absorver o custo, mas startups, pequenas e médias empresas ficam desestimuladas.
- Isso pode reduzir o número de oportunidades de contratação de talentos estrangeiros em áreas críticas de inovação.
- Ao mesmo tempo em que se cobra mais caro no H-1B, o país pode perder competitividade na atração de mão de obra qualificada, justamente em setores que clamam por engenheiros, cientistas e especialistas.
O contraste
Essas duas medidas revelam o contraponto da política migratória norte-americana atual:
- Para áreas de necessidade imediata e essencial, como a agricultura, o governo procura facilitar os caminhos legais.
- Para áreas de alta qualificação, o governo impõe custos mais altos e barreiras adicionais, o que pode limitar o acesso de empresas menores a profissionais de excelência.
Se, por um lado, o DHS sinaliza apoio a setores estratégicos como a agricultura com o H-2A, por outro, o novo custo de US$ 100.000 no H-1B gera debates sobre até que ponto os EUA continuam atraentes para profissionais altamente qualificados do mundo inteiro.
É fundamental que empregadores e trabalhadores entendam essas mudanças em conjunto: o país abre portas em algumas áreas, mas fecha em outras. Cabe a cada interessado avaliar como essas políticas impactam sua estratégia de imigração e de negócios.



